EVENTO - FIESP | Investindo com Consciência e Impacto Social

Por Nicholas Merlone
Atualizado - 16hs13
sp. 20 abril / 2018.


A nova economia e os negócios

Estimada leitora, caro leitor...

Participei de um seminário, ontem, quinta-feira (20 de abril), na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). O tema abordado foi justamente sobre Investimentos Sociais, em palestra proferida por Joan Melé.

O evento foi aberto por Caio Cordeiro, que expôs a atuação do CJE (Comitê de Jovens Empreendedores) da Fiesp. Demonstrou, assim, os grupos temáticos de trabalho, workshops, rodadas de negócios, bem como congressos realizados pelo Grupo, que já angariou mais de 19 mil participantes em suas atividades.

Em seguir, Sérgio Resende teceu algumas considerações sobre a atuação da Fiesp. Lembrou que "Pessoas constroem o País". Lembrou também da Campanha do Sapo realizada pela organização. Lembrou, por fim, da importância das organizações econômicas voltadas para o social, com o objetivo de alcançar o desenvolvimento humano.

Pois bem...

Placa De Boletim, Computador PortátilFoto: Pixabay.

Joan Melé inicia seus trabalhos. O palestrante, de início, aponta a iniciativa Parsifa|21. A ação trata, em síntese, de negócios com impacto social. Igualmente indica a Fundação Avina, órgão com a mesma finalidade do anterior, com o acréscimo do foco em desenvolvimento sustentável econômico e ambiental na América Latina. Trata, portanto, de finanças sustentáveis.

O palestrante lembra também que esteve com Fábio Barbosa em palestras sobre empresários e investimentos no social (escolas etc.).

Melé, então, ressalta a importância de conciliar dinheiro com consciência. Igualmente aponta que os Bancos devem se pautar pela Consciência e pela Ética, sem exclusivamente pensar em lucro.

O expositor, com isso, afirma que as pessoas não devem temer o meio financeiro. Deve existir, assim, um Banco Social. Um Banco com valores. Deve ainda haver uma rede de dinheiro e consciência.


"O que o seu dinheiro nutre?", problematiza Méle. A seguir, diz que o impacto entre lucro e consciência juntos, deve também objetivar doações sem grandes contrapartidas.

Melé diz que trabalha a 40 anos em Bancos e 10 anos em Bancos Éticos. Acredita que os jovens devem estudar para trabalhar e se sustentar. Não deve haver o desejo sem limites por lucro. "Para que mais dinheiro?" ; "Quando morre, vai deixar quanto em conta bancária?" Em contrapartida, "Todos podem ser Empreendedores!", frisa. Para ser empreendedor, afirma que se deve olhar para o que o mundo precisa, do que necessita! Adiante, afirma que os jovens devem estudar para ser útil para a sociedade, estudar muito para agir. Além disso, frisa que não se deve desejar somente ser rico. Mas, ser rico de plenitude! 

Nesse cenário, lembra de meninas grávidas de 13 anos, bem como de pobrezas que marcam o quadro social. São, de fato, problemas mundiais, que precisam ser resolvidos. Daí a importância da educação para atuar no mundo com foco social.

Para ele, os jovens devem sair da universidade para empreender no social. Devem ter comprometimento! Fazer o bem para o mundo!

Problematiza, adiante, que se há Bancos Éticos, e os outros como ficam? Independente disto,  então, coloca que os Bancos Éticos devem se focar em investir nos setores certos (social, cultural e ambiental), bem como ser transparentes. "Os outros bancos não deveriam existir?", dispõe. "É preciso uma revolução de consciência, com Bancos Éticos, que expressem valores!", reflete.

Seguindo, indica que os Bancos Éticos devem se voltar para as pessoas. Devem buscar a transformação social. Devem, por fim, mudar o Sistema Financeiro com Bancos com valores humanos.

Por certo, diferencia, assim, valor de preço. Um bem material e outro moral. É importante ter em mente essa diferença, para atuar na sociedade. 

Desse modo, ressalta o valor de uma rede de consciência com muita força! Com alianças e parcerias. Sem concorrência, mas com o compartilhamento de experiências para se distribuir a riqueza!

Por outro lado, ressalta que 99% do dinheiro financeiro é voltado para especulação! Daí ocorrer crises como Bolhas no Sistema Financeiro. Os bancos faziam empréstimos para as pessoas comprarem coisas de que não precisavam.

Hoje, segundo o palestrante, não se educam valores humanos nas escolas. Apenas, conhecimentos técnicos. De tal sorte, ressalta-se a relevância das Humanidades na mudança de consciência, de modo que se invista nas crianças e nos jovens pela Educação de valores.

Finalmente, a palestra foi muito esclarecedora e daí o grande problema, para mim. É fundamental investir na Educação. São justamente as disciplinas humanas propedêuticas que solidificam o conhecimento e o olhar crítico do estudante para as situações sociais. Infelizmente, tais matérias vêm sendo negligenciadas e esquecidas. Não que as disciplinas técnicas não sejam importantes. Pelo contrário, são muito importantes. Mas não se pode deixar de lado as matérias das humanidades. Bancos Éticos? Uma realidade distante? É possível mesmo humanizar o capital financeiro? O Capitalismo Selvagem tem freios? Perguntas que não querem calar! De fato, humanizar o Capitalismo talvez não seja possível...

Porém, na medida do possível, devemos buscar justiça social, oportunidades iguais para todos e  redução das desigualdades sociais. Isto ocorreria justamente por intermédio do Capital Social e da responsabilidade social das empresas. E, não só, mas através dos próprios indivíduos que devem se alinhar com os objetivos estratégicos das empresas. Tal quadro deve visar, portanto, não só o lucro mas também a preocupação com o Social. Não menos importante... A concorrência deve andar lado a lado com a experiência compartilhada. A primeira, fundamental para a diferenciação e o aprimoramento contínuo dos produtos/serviços, sem abusos econômicos e concentração do poder econômico. A segunda, para se focar primordialmente no Social e buscar novas relações éticas no Setor.








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