Gestão do tempo e do trabalho remoto (home office) e como ficou na nova legislação trabalhista


Falaremos de dois pontos aqui: Primeiro como lhe ajudar a gerir seu tempo; segundo como gerenciar suas atividades e dos seus colaboradores em atuam em “home office”. 

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Primeiro a dica sobre o tempo, ok?!

Muita gente pensa que gerir tempo é cronometrar tudo e agir feito robô, mas não é bem assim.

A gestão do tempo é, na verdade, uma forma de garantir que as coisas sejam feitas no momento certo e na prioridade adequada. Quando você tem duas atividades para fazer e escolhe uma para começar, você já começou a gerir seu tempo.

O “xis da questão” é que a maioria das pessoas fazem isso de forma empírica e desordenada, sem um processo ou sistematização, o que acaba embolando uma série de atividades a serem executadas em um tempo inviável de fazê-las.

A dica que temos para resolver isso de forma simples é: utilize uma agenda.
Sempre que uma atividade aparecer, coloque em sua agenda, definindo um tempo hábil para executá-la e com uma janela de aproximadamente 1h entre uma atividade e outra. A janela tem a função fundamental de cobrir imprevistos, não a utilize para outra tarefa, ok?!

O que o trabalho remoto (home office) tem a ver com este assunto?

O grande problema do famoso “home office” é a disciplina pessoal para cumprir todas as atividades necessárias sem se perder em atrativos mais interessantes.

Estamos falando de uma situação que seu escritório é sua casa e, como é comum na maioria delas, existem muitas distrações: o cachorro, o gato, o marido ou a esposa, a mãe, o pai, irmãos, a cama macia, o Netflix, a geladeira e até vizinhos chatos, sem contar tantos outros fatores, como telefone, Facebook, etc. Com isso, a probabilidade de ter problemas com a gestão do tempo se torna ainda maior.

Quando você é um profissional autônomo ou um microempreendedor esse é um problema apenas seu, mas e quando você é um empregado trabalhando remotamente ou gestor de desses colaboradores?

A reforma trabalhista e a facilitação da gestão do tempo para trabalhadores remotos

Antes a CLT não previa esse tipo de colaborador. Aplicava-se, por analogia, o entendimento do trabalhador externo, como vendedor, promotor, etc. Agora a CLT tem previsão expressa do que pode e não pode ser feito. Muito se parece com a ideia do trabalhador externo. Só precisamos ponderar alguns cuidados extras, vamos lá.

Para a CLT (com a Reforma de novembro de 2017) considera-se teletrabalho a prestação de serviços preponderantemente fora das dependências do empregador, com a utilização de tecnologias de informação e de comunicação que, por sua natureza, não se constituam como trabalho externo, que tem outra previsão legal. Há previsão expressa de que o comparecimento às dependências do empregador para a realização de atividades específicas que exijam a presença do empregado no estabelecimento não descaracteriza o regime de teletrabalho.

Mas cuidado, leitor. Se você é empregador, o contrato do seu colaborador deve ser expresso nesse sentido, constando que ele é um empregado na modalidade de teletrabalho.

Detalhe importante é que esse trabalhador à distância não tem controle de jornada. Ou seja, ele faz o seu horário. Mas não quer dizer que o empregador possa ficar pedindo tudo a toda hora, porque se provado o excesso e a jornada poderá ser fixado o valor em hora extraordinária em favor do empregado.

Vejam que o importante não é a dedicação por hora, já que esse tempo é controlado pelo empregado, mas a entrega do serviço/produto. Antes uma prática comum na execução de trabalhos remotos era a contagem de tempo, conhecido por muitos como “time sheet”, para garantir que o funcionário estaria dedicando as suas 8h diárias. Atualmente, com a nova reforma, a visão migra para a entrega das tarefas, e não mais por hora, de acordo, é claro, com a decisão do empregador e do empregado.

O importante aqui, quando falamos de gestão do tempo – prioridades e distrações – é entender que por ter uma quantidade de entregas diárias, seja de tempo ou de tarefas, é absurdamente necessário que o optante pela modalidade de “home office” tenha habilidades de gestão, porque ele no fim das contas estará sozinho. É comprovado que quem sabe organizar e controlar o seu processo de trabalho em casa acaba produzindo em média 30% mais do que em comparação do mesmo serviço realizado no escritório tradicional, conforme afirmou o diretor de tecnologias e operações da Mandic, Antonio Pina, uma empresa que possui 200 funcionários e adotou o modelo “home office”, para 30 colaboradores da empresa.

Sabemos que em 2016 aproximadamente 37% das empresas do país já adotaram o home office, de acordo com a Pesquisa Home Office Brasil 2016, da SAP. E este número vem aumentando, o que indica que a necessidade de processos de gestão de tempo no trabalho remoto se torna cada vez mais eminente.

Tríade do Tempo

Cristian Barbosa, renomado autor brasileiro do assunto Gestão do Tempo, define uma tríade perfeita para quem quer fazer seu controle de prioridade. Ele define que qualquer tarefa pode e deve ser incluída em uma dessas três classificações:

1) importantes

Possuem prazo para serem feitas; elas são importantes para nós, não para os outros; são tarefas que nos dão prazer em serem executadas e sempre geram resultados positivos.

2) urgentes

São aquelas que surgem sem previsão ou são tarefas que, por não terem sido cumpridas no prazo, deixaram de ser importantes para se tornarem urgentes. Não há mais tempo, então se estabelece a pressão, a correria e o estresse.

3) circunstanciais

São importantes e urgentes para os outros, não para nós; são atividades feitas em excesso e que roubam nosso tempo; são tarefas realizadas contra nossa vontade ou que aceitamos porque não sabemos dizer “nã.o”. Esse tipo de tarefa não traz resultado algum e gera frustração.
Concentre-se naquilo que você é bom, delegue todo o resto

Essa frase do Steve Jobs parece óbvia, mas nem todos os gestores a seguem.

Ela demonstra um outro grande problema de quem não consegue gerir seu tempo: o acúmulo de tarefas fora de sua área de atuação.

Muitas vezes, para economizar (ou por orgulho mesmo), o profissional quer fazer tudo!

O que acontece?

Ele produz menos, ganha menos e cresce menos.

Portanto, delegue as tarefas para os profissionais adequados, assim sua produtividade irá aumentar consideravelmente. Não pense em economizar na hora de contratar bons profissionais, encare isso como investimento. Investimentos retornam lá na frente enquanto que, quando você economiza, muitas vezes o que retorna é um prejuízo, pela falta de competência dos envolvidos naquilo que um bom profissional faria muito melhor.

Sempre procure ter a melhor contabilidade, advocacia, agência de marketing e profissionais que seu dinheiro puder pagar, porque assim você irá garantir uma empresa sólida enquanto você investe seu tempo naquilo que sabe fazer de melhor, que é a sua atividade/profissão. 


Fonte: Jusbrasil - Ialongo e Miyaoka Sociedade de Advogados.


 

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